SINAIS
DO CRIME: Códigos da violência
O crime
tatuado na pele. O BOM DIA mergulha no submundo do ‘xadrez’ e
revela o significado desses códigos
Michelle
Mendes – O Vale
São José e Taubaté
Crime tatuado na pele. A ‘vida loka’ traduzida, da alma para o
corpo, em cores e traços. Códigos cifrados do submundo, alfabeto
da violência. Entre os criminosos, a tatuagem é informação e ao
mesmo tempo, revela o ‘currículo’ e o status, pode conter dados
ocultos. A estratégia é empregada até na mais temida facção
criminosa do Estado: o PCC (Primeiro Comando da Capital).
Os desenhos são feitos nas celas, pelos próprios criminosos, de
maneira improvisada. Por meio desses sinais, é possível criar
uma espécie de ‘cartão de visitas’, gravado na pele. Cada
tatuagem tem o seu significado próprio, pode informar qual o
crime praticado pelo prisioneiro ou então que facção integra.

As
tatuagens são feitas um com tubo de tinta caneta esferográfica,
agulha de costura e motor de gravador. E essa máquina artesanal
é movida a pilha ou gato da fiação elétrica. Há casos em que o
bandido consegue tinta profissional para o desenho.
Código do PCC /Das ‘tatuagens do PCC’, as mais usadas são o
próprio nome da facção (ou o símbolo 1533), a carpa, o símbolo
chinês ‘Yin Yang’ e a sigla PJLI — ‘lema’ da organização: Paz,
Justiça, Liberdade e Igualdade.

Outras
facções, como, por exemplo: ‘CRBC’ (Comando Revolucionário
Brasileiro da Criminalidade), ‘ TCC’ (Terceiro Comando da
Capital) e SS (Seita Satânica).
Grife /As tatuagens tem um ‘código’ geral — é incomum que os
significados mudem de um presídio para o outro. O que não impede
a criação, no Vale do Paraíba, de novas ‘grifes’ do crime, por
quadrilhas ligadas ao tráfico de drogas, como ocorre em Taubaté.
Entre as imagens mais comuns no sistema prisional estão santos,
caveiras, bonecos, punhal, diabo, estrela, suástica, cobra,
palhaço, fuzis. São os sinais do crime.

‘Amor
só de mãe’: frase indica ‘matadores’ do crime, diz DIG
‘Amor só de mãe’. De acordo com a Polícia Civil da região, essa
é a frase gravada no corpo, na maioria das vezes em japonês, dos
‘matadores’ do crime . A mensagem, de acordo com a ‘cartilha’
das facções é: deve-se respeito apenas à própria mãe, o resto, é
resto. O ‘vida loka’ não mede consequências para executar o
‘alvo’, quem quer que seja — policial, criminoso ou mesmo um
cidadão comum.
“Na maioria dos casos os criminosos fazem tatuagens para
transmitir a mensagem de como devem ser reconhecido na
bandidagem, no PCC, por exemplo, o ‘1533’ tem o total respeito
na facção e chega a provocar medo”, afirmou à reportagem do BOM
DIA delegado titular da DIG (Delegacia de Investigações Gerais)
de Taubaté, Juarez Totti.

Fonte:
http://www.ovale.com.br/regi-o/sinais-do-crime-codigos-da-violencia-1.135332
